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30 perguntas que nunca fizeste à tua mãe e que agora ficaram sem resposta

Uma mãe idosa e a sua filha adulta sentadas juntas a olhar para um álbum de fotografias antigas. A mãe aponta uma foto com o dedo e começa a contar uma história; a filha inclina-se para ela com um sorriso quente de atenção. Sobre uma mesa próxima há um caderno aberto com uma caneta.

As perguntas que quase toda a gente fica sem fazer às mães. Para que as faças a tempo se ainda puderes, ou as reconheças se já não puderes.

Há um momento em que todas as filhas e todos os filhos descobrem a mesma coisa. Estás em casa da tua mãe, abres uma gaveta, encontras uma fotografia de uma mulher jovem que não reconheces e pensas: “quem era?”. E é então que percebes que nunca lho perguntaste.

Não acontece só com as fotos. Acontece com tudo. Coisas pequenas, uma receita que só ela sabia, o nome daquela amiga da escola, e coisas grandes, o que pensou quando morreu a sua própria mãe, porque veio para a cidade quando veio, o que gostaria de ter dito e nunca disse.

Quase ninguém fica com as perguntas grandes sem resposta porque não lhe interessassem. Fica sem as fazer porque pensou que haveria tempo. É a mesma razão pela qual o teu pai nunca te contou metade do que viveu: não é que não quisesse, é que nunca dava jeito.

Porque nunca encontramos o momento

Às mães não se pergunta pela sua vida a frio. Não funciona sentar-se um domingo e dizer “mãe, conta-me quem eras”. A conversa fecha-se antes de começar.

As perguntas a uma mãe fazem-se a propósito. Surgem quando aparece um nome, uma foto, uma canção. Fazem-se na cozinha enquanto ela prepara qualquer coisa, no carro a voltar de algum sítio, a ver um filme. Fazem-se quando ela já está meia adormecida no sofá e baixa a guarda.

Por isso a maioria fica por fazer. Não porque não quiséssemos saber. Porque esses momentos não se procuram de propósito, aproveitam-se. E no dia em que deixas de ter oportunidades, não havia maneira de saber que aquela tarde de quinta-feira passada era a última.

30 perguntas que as pessoas lamentam não ter feito

Não estão todas nem importam por esta ordem. Lê-as a pensar na tua mãe. Algumas vais saber responder por ela, isso já te diz algo sobre o que ela te deixou saber. Outras vão doer-te porque não fazes ideia da resposta.

Sobre a infância dela

  1. Como era a casa onde cresceste? Em que quarto dormias?
  2. Quem te ensinou as coisas que a tua mãe, a minha avó, não te ensinou?
  3. Qual é a primeira memória clara que tens? Que idade devias ter?
  4. O que gostavas de fazer quando estavas sozinha em pequena?
  5. De que tinhas medo aos sete anos?

Sobre os pais dela (os teus avós)

  1. Como se conheceram os teus pais? Alguma vez te contaram essa história?
  2. O que gostarias de ter perguntado à tua mãe e nunca lhe perguntaste?
  3. Em que te pareces com a tua mãe e em que com o teu pai? Mudaste nisso com os anos?
  4. Como foi o dia em que a tua mãe morreu? E o teu pai?
  5. O que tens saudades deles agora que há vinte anos não tinhas?

Sobre a juventude e o amor

  1. Quem foi a primeira pessoa de quem gostaste a sério? O que aconteceu com ela ou com ele?
  2. Como conheceste o pai? O que pensaste a primeira vez que o viste?
  3. Houve alguém antes do pai de quem te custou esquecer?
  4. Quando decidiste que querias casar com ele? Duvidaste alguma vez?
  5. Em que momento da tua vida foste mais feliz?

Sobre o trabalho e as decisões

  1. O que querias ser quando fosses grande aos quinze anos?
  2. Porque acabaste por fazer o que fizeste, ou por deixar de o fazer? Arrependes-te de algo dessa escolha?
  3. Qual foi a decisão mais difícil que tomaste e que ninguém em casa chegou a saber?
  4. Houve alguma chefe, alguma colega de trabalho, alguém que te marcou? Essa pessoa sabe o que significou para ti?
  5. O que deixaste de fazer por teres filhos? Arrependeste-te?

Sobre ti, o teu filho ou a tua filha

  1. Como foi o dia em que nasci? Lembras-te exatamente do que aconteceu?
  2. O que pensaste a primeira vez que me pegaste ao colo?
  3. O que te surpreendeu em mim, para o bom ou para o mau, à medida que fui crescendo?
  4. Há algo de mim que te lembre alguém, a tua mãe, uma irmã, alguém que já cá não está?
  5. O que queres que eu saiba de ti que achas que não soube entender?

Sobre o que pensa, sente e acredita

  1. Em que acreditas? Isso foi mudando ao longo da tua vida?
  2. De que tens medo a sério? Não do medo dos filmes, do teu medo.
  3. Há alguém com quem devias ter feito as pazes e não fizeste?
  4. Se pudesses voltar atrás, o que mudarias? E o que deixarias exatamente igual?
  5. O que gostarias que os teus filhos recordassem sempre de ti?

Como fazê-las se a tua mãe ainda está viva

Se a tua mãe vive, não lhe mandes esta lista. É um favor que te fazes a ti, não a ela.

O que podes fazer: escolher três ou quatro destas perguntas que de facto te interessem, e procurar o momento. Não o “vamos sentar-nos para uma entrevista”. Uma sobremesa. Um café qualquer. Uma viagem de carro longa. Dizer algo como “mãe, há uma coisa que há muito quero perguntar-te…”, e deixar que ela decida se responde hoje ou amanhã.

Se pedir-lhe as coisas directamente não acaba de funcionar, há uma maneira mais elegante: oferecer-lhe o sítio onde possa contá-lo ao seu ritmo, sem que pareça interrogatório.

A muita gente mais velha custa falar de si a sério. Mas quase todas querem contá-lo se encontrarem alguém que pergunte sem pressa e escute sem interromper. E tu vens sendo isso toda a vida, só nunca lhe perguntaste.

Não tenhas medo de ficar em silêncio. Depois de algumas destas perguntas, os silêncios longos são o melhor que vai acontecer na conversa.

Se a tua mãe já cá não está

Isto é mais difícil e ao mesmo tempo mais simples.

Se a tua mãe já cá não está, não há forma de recuperar as respostas. Mas há pessoas que as sabem. O teu pai, se for vivo. As irmãs dela. As amigas antigas. Alguma das tuas tias. Uma vizinha da terra. As pessoas que a conheceram bem.

Nem todas as perguntas as podem responder elas, claro. O que pensava a tua mãe quando a dela morreu, como se sentiu no dia em que tu nasceste, isso mais ninguém sabe. Mas os factos sim. As histórias sim. A cara que fazia ao contar aquilo, as pessoas, os nomes.

Fazer essa ronda, sentar-te uma tarde com a tua tia e perguntar-lhe pela irmã, ligar àquela amiga do bairro que ainda vive, juntar o que cada uma guardava, não te vai devolver a tua mãe. Mas vai devolver-te uma versão dela que não tinhas. E essa versão é a que os teus filhos vão herdar de ti.

O que aprendes com isto tudo

As pessoas não ficam por fazer estas perguntas porque não se importem com a mãe. Ficam sem as fazer porque falar da morte enquanto a pessoa vive parece-nos de mau gosto, porque achamos que ainda há tempo, porque não sabemos como abrir a conversa, porque temos medo da resposta.

E depois o tempo acaba, sempre antes do previsto, e ficamos com a lista. A lista de perguntas que agora só podemos responder pela metade, lendo nas entrelinhas as coisas que ela não chegou a dizer-nos.

Se isto te fez pensar na tua mãe, ainda bem. Se te fez pensar em ti como mãe ou como pai, também, porque há algo que provavelmente já estás a imaginar: que os teus filhos, daqui a uns anos, vão ter uma lista parecida sobre ti. A pergunta de o que os teus filhos sabem mesmo sobre ti tem quase sempre uma resposta desconfortável. E a diferença entre ficares sem lhes responder ou não, decides tu, hoje, enquanto podes.


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